Entre os dias 1º de outubro e 6 de novembro, a instalação Alfa/Teta estará na Galeria Loíde Schwambach, dentro da Fundarte, em Montenegro, sob a curadoria da Dra. em Artes Visuais Andrea Hofstaetter. A abertura será no primeiro dia do 23º Seminário Nacional de Arte e Educação, dia 1º de outubro, às 19 horas. Segue abaixo a arte e o texto para o convite da exposição escrito pela curadora.
ALFA/TETA: imagens-esboço de sonhos
O que é a realidade?
O que é o sonho?
São duas
questões cujas respostas podem entremear-se, confundir-se. Não faz parte da
realidade aquilo que sonhamos quando imersos no sono? Não faz parte dos sonhos
aquilo que vivenciamos e experimentamos no dia-a-dia - no presente, no passado,
no porvir - que pode se constituir como lembrança, memória, desejo, trauma,
resquício, resto, registro, marca, afeto...?
As dimensões do
que é real e do que é construído no mundo dos sonhos ou da imaginação nos são
dadas pela nossa experiência direta e também pelas projeções de nossa
capacidade de imaginar – de fazer imagem. O real também é construído,
projetado.
As imagens são
elásticas: as do sonho e as da realidade. As imagens acolhem nosso desejo,
nosso afeto. As imagens são do mundo e são nossas. As imagens do mundo são
nossas imagens do mundo. As imagens do sonho são imagens do mundo que se tornam
nossas. As imagens do sonho são imagens nossas que se tornam do mundo. Nossas
imagens de sonho são um mundo de imagens outras do mundo. As imagens do sonho
se tornam nosso mundo.
Somos nós que
sonhamos ou é o sonho que nos sonha?
O
sonho/realidade é vertigem, artifício, maquinaria simbólica que nos faz lembrar
o que esquecemos, o que queremos esquecer, o que queremos oculto. Mas está lá.
Vertigem de não saber o que fazer para esquecer. Vertigem de esquecer o que não
sabemos ser. Vertigem de dar voltas em torno do incontornável. Vertigem de
estar submerso na imagem acachapante. Vertigem de ver o que não somos mais e,
no entanto, ainda somos e temos e queremos. Vertigem de esquecer para lembrar.
Sonho é
anamorfose?
Se há vertigem,
também há apaziguamento. Em transformar o acachapante em imagem. Em recorrer ao
artifício da maleabilidade da imagem do sonho/do mundo e torná-la contornável.
Em criar possibilidades de contornar, de demarcar um lugar para a imagem. Em
criar possibilidades de existência para a imagem insistente e persistente da
memória-lembrança que foge, que quer/não quer ser demarcada.
A mesa/sonho é
outra mesa e é a mesma. A casa/sonho é outra casa e é a mesma. Cheia de casas. O
velho balanço, o baú, os travesseiros... Um travesseiro lápide... Travesseiros
álbuns de lembranças... Um álbum de lembranças de sonhos feito de travesseiros...
De lembranças de sonhos... Tudo isto demarca lugares para o que não quer
deixar-se contornar. Lembrar-se de um sonho é criar uma imagem para o sonho. O
ato poético se infiltra nas lacunas deixadas pelo sonho e cria imagens para as
imagens de sonhos. Imagens que vão sendo recriadas por quem se deixa ser por
elas infiltrado. Olhemos para esta proposição artística como por uma janela utópica
onde se inscreve uma paisagem: uma paisagem que apenas e permanentemente se
esboça... Pois, de acordo com Ernst Bloch, este é um atributo de cada obra
artística.
Dra. Andrea Hofstaetter
Doutora em Artes Visuais
Professora Adjunta do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS
Dra. Andrea Hofstaetter
Doutora em Artes Visuais
Professora Adjunta do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS
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